Fibrilação Atrial: Tudo que você precisa saber sobre essa arritmia cardíaca
A fibrilação atrial é uma condição cardíaca que afeta milhões de pessoas no mundo e, infelizmente, também tem uma alta incidência em diversos países, inclusive no Brasil.
A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca mais comum, caracterizada por uma atividade elétrica desorganizada no átrio (parte alta do coração), que resulta em um batimento irregular e, muitas vezes, acelerado do coração.

O Dr. Rafael Rosa atua em Cardiologia. Você deve ser o maior conhecedor do seu corpo e dos seus problemas, e merece ser cuidado com atenção, com tempo e carinho adequados.
Com experiência mista em urgência e emergência desde 2013, e atuando na área cardiológica desde 2019 nos setores da cardiologia, unidade de terapia intensiva cardíaca na Santa Casa de Limeira. Associado a isso, a união de equipe de saúde multidisciplinar do Instituto Evolução, trazendo o melhor dos dois mundos, da urgência e emergência ao consultório, contamos com o melhor para sua saúde cardiovascular e qualidade de vida.
Existe uma falta de sincronia entre as quatro câmaras cardíadas, atrapalhando o fluxo natural do sangue entre átrios (parte alta) e ventrículos (parte baixa).

Enquanto outras arritmias podem ocasionar batimentos anormais também, a fibrilação atrial se diferencia por sua persistência e pelo risco aumentado de complicações.
Dentre outras, a principal é a formação de coágulos no coração que em algum momento podem se soltar e parar em qualquer parte do corpo, entupindo alguma artéria ou veia por exemplo. Nesse caso podemos destacar AVC, Trombose e Embolia Pulmonar como possíveis consequências, a depender de onde esse coágulo vai parar.
Quais os sintomas da Fibrilação Atrial?
A maioria dos pacientes com a fibrilação atrial, quando se mantêm com os batimentos controlados, raramente têm sintomas, mas permanecem com o risco de complicações como eventro tromboembólicos, mesmo na ausência de sintomas.
Os sintomas podem variar entre os indivíduos, e existem pessoas que sequer tem o sintoma, mas convivem com a FA (fibrilação atrial), mas os principais sintomas incluem (e normalmente ocorrem quando os batimentos aceleram):
- Palpitações: Sensação de batimentos cardíacos acelerados, irregulares ou “descompassados”.
- Fadiga e Fraqueza: Sensação de cansaço, mesmo sem esforços intensos.
- Tontura ou Desmaios: Pode ocorrer devido à dificuldade de levar sangue eficientemente ao cérebro e outras partes do corpo, principalmente quanto os batimentos estão muito acelerados.
- Falta de Ar: Sensação de dificuldade para respirar, principalmente durante atividades físicas, onde os batimentos aceleram muito.
- Desconforto no Peito: Pode apresentar dor ou aperto no peito, embora nem todos os pacientes relatem esse sintoma.
Lembre-se que a intensidade desses sintomas varia; enquanto algumas pessoas podem sentir leves desconfortos, outras podem ter sintomas mais pronunciados, e outras podem não ter sintoma algum.
Quais as causas da Fibrilação Atrial?
A fibrilação atrial pode ser desencadeada ou agravada por diversos fatores, e existem pacientes sem nenhuma causa diretamente justificável.
Algumas delas são:
- Idade Avançada: A incidência aumenta significativamente após os 60 anos.
- Histórico Familiar: A predisposição genética pode aumentar o risco.
- Hipertensão e Doenças Cardíacas Subjacentes: Condições como insuficiência cardíaca e cardiopatias isquêmicas.
- Outras Condições de Saúde: Diabetes, obesidade, apneia do sono e doenças da tireoide.
- Estilo de Vida: Consumo excessivo de álcool, estresse elevado e sedentarismo.
Esses fatores agem em conjunto e podem predispor o coração a desenvolver a desorganização elétrica típica da fibrilação atrial.
Por que tratar, e quais as metas do tratamento?
Temos que entender que existem duas linhas de pensamento no tratamento quando pensamos na fibrilação atrial.

A primeira é tratar o sintoma do paciente, o desconforto toda vez que entra em arritmia com batimentos acelerados.
- Aqui inclui tirar o paciente do quadro de arritmia e tentar mante-lo sem novos episódios.
- Ou podemos manter o paciente em arritmia, e controlar os batimentos para que o mesmo não sinta mal.
A segunda é tratar os possíveis riscos e complicações que podem vir com essa arritmia. Além dos trombos / coágulos que podem causar AVC, trombose, embolia pulmonar, existem ainda as deformidades cardíacas a longo prazo.
Quando não gerenciada adequadamente, a fibrilação atrial pode levar a complicações sérias:
- Aumento do Risco de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi): A formação de coágulos no coração pode em algum momento se soltar e levar à obstrução das artérias cerebrais.
- Insuficiência Cardíaca: Os batimentos do coração frequentemente acelerado podem agravar ou levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca por taquicardiomiopatia.
- Comprometimento da Qualidade de Vida: Sintomas constantes podem prejudicar a rotina diária, limitar atividades e afetar o bem-estar emocional. Imagine estar viajando, ou dormindo, acordar com mal estar e ter que ir para o hospital toda vez.
É fundamental que pacientes com suspeita ou diagnóstico de fibrilação atrial realizem acompanhamento médico regular para evitar complicações.
Como é feito o Diagnóstico?
O diagnóstico normalmente inclui exame de monitorização eletrocardiográfica.

As formas mais comuns são fazendo um Eletrocardiograma por exemplo numa consulta de rotina, ou quando se sentir mal e for até o hospital. Lembrando que a arritmia pode acontecer e se resolver sozinha em alguns minutos por exemplo. Porém ela tende a retornar mais vezes, inclusive sem sintomas.
Outra maneira é com monitorização de mais longa duração como Holter ou Looper implantável (mais invasivo).
O holter nada mais é do que um eletrocardiograma de longa duração, podendo manter o paciente monitorizado por 24h ou mais.

Na clínica disponho de aparelho que é possível fazer um exame personalizado de 24h até 07 dias consecultivos, sem fios, podendo o paciente tomar banho normalmente nesse período.
Outra forma de detecção é com estimulação por exemplo no teste ergométrico, principalmente em pacientes que sentem a palpitação diferente durante atividade física, onde o gatilho de adrenalina existe em maior expressão.
Tratamento da Fibrilação Atrial
O tratamento da fibrilação atrial é multidisciplinar e deve ser adaptado ao cenário de cada paciente, considerando a gravidade dos sintomas e a presença de outras condições e podem divergir muito de um paciente para outro. As principais abordagens incluem:
Medicações:
- Anticoagulantes para prevenir a formação de coágulos / trombos.
- Antiarrítmicos para controlar e estabilizar o ritmo cardíaco (controle de ritmo).
- Betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio para reduzir a frequência cardíaca (controle de frequência).
Procedimentos Médicos:
- Cardioversão elétrica: Procedimento para restaurar o ritmo sinusal normal por meio de um choque utilizando um cardiodesfibrilador, no hospital.
- Ablação por cateter: Técnica que visa “queimar” áreas do tecido cardíaco responsáveis pelos sinais elétricos anormais. É um procedimento invasivo feito com equipe de eletrofisiologia, seja ela eletricamente ou por congelamento (crioablação).
- Mudanças no Estilo de Vida:
- Adoção de uma dieta balanceada e prática regular de exercícios físicos.
- Redução do consumo de álcool e tabaco.
- Controle de fatores de estresse e acompanhamento de condições médicas associadas, como hipertensão e diabetes.
Estatísticas e Parâmetros Nacionais
É difícil ter dados completos com extrema exatidão, pois ainda temos muitos pacientes andando por aí com fibrilação atrial, assintomáticos e que não sabem que tem a doença.
A prevalência global de FA varia significativamente, situando-se entre 0,1% e 4% da população mundial. Essa variação depende de fatores como idade, etnia e a presença de outras condições de saúde. (2024 ESC Guidelines)
Estima-se que, em 2019, cerca de 59,7 milhões de pessoas no mundo viviam com fibrilação atrial. (Global Burden of Disease Study, 2019)
No Brasil, estima-se que até 5 milhões (ou aproximadamente 1-2% da população) de pessoas tenham fibrilação atrial (FA), uma arritmia cardíaca que se caracteriza por um batimento irregular e acelerado do coração. A prevalência da FA aumenta com a idade.
O Ministério da Saúde e sociedades de cardiologia como SBC e Socesp, têm enfatizado a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Estudos também indicam uma alta taxa de hospitalizações e internações relacionadas a complicações da fibrilação atrial, reforçando a necessidade de campanhas de conscientização e prevenção.
Educação e Prevenção
A melhor forma de combater a fibrilação atrial é através da educação e prevenção. Algumas orientações úteis são:
- Realizar Check-ups Regulares: Monitoramento da pressão arterial, níveis de colesterol e avaliação cardíaca periódica.
- Adotar um Estilo de Vida Saudável: Praticar atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada e evitar o consumo excessivo de álcool.
- Gerenciar o Estresse: Técnicas de relaxamento, meditação e atividades que promovam o bem-estar emocional.
- Conhecer os Sinais de Alerta: Informar-se sobre os sintomas e buscar auxílio médico imediatamente se notar qualquer anormalidade.

Essas ações não só ajudam a reduzir o risco de fibrilação atrial, mas a detecção precoce e início de tratamento. O impacto é tão grande que hoje a maioria dos smartwatchs vem com tecnologia para detecção de Fibrilação Atrial. Já leu que seu relógio novo consegue rodar um eletrocardiograma? Embora seja simples e apenas um traçado, a função é justamente ajudar a identificar pacientes com fibrilação atrial.
Novas Abordagens e Pesquisas Recentes
A cada ano, avanços significativos são feitos no entendimento e no tratamento da fibrilação atrial. Algumas das iniciativas recentes incluem:
- Tecnologia e Monitoramento Remoto: Com o uso de dispositivos vestíveis (wearables) e aplicativos de saúde, é possível monitorar o ritmo cardíaco em tempo real, promovendo a detecção precoce de irregularidades e permitindo intervenções rápidas.
- Inovações em Procedimentos Invasivos: O aprimoramento das técnicas de ablação e a introdução de novas tecnologias minimamente invasivas têm aumentado as taxas de sucesso no controle dos sintomas e na prevenção de complicações.
- Estudos Clínicos: Diversos estudos têm investigado o impacto de novas medicações e combinações de tratamentos, buscando reduzir os riscos de eventos adversos, como AVC e insuficiência cardíaca, e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
- Atualizações nos critérios para indicação de anticoagulação, com refinamento do escore CHA₂DS₂-VASc.
- Novas recomendações relativas à escolha entre controle de ritmo versus controle de frequência, considerando as características individuais do paciente.
- Melhoria nas técnicas de ablação, com destaque para abordagens híbridas e minimamente invasivas.
- Incremento dos protocolos para avaliação e seleção de candidatos a procedimentos invasivos.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Para ajudar a esclarecer dúvidas comuns, elaboramos uma sessão com perguntas frequentes:
A fibrilação atrial pode ser revertida completamente?
- Em alguns casos, tratamentos como a cardioversão elétrica e a ablação por cateter podem restaurar o ritmo sinusal normal. No entanto, a recorrência pode ocorrer e o acompanhamento a longo prazo é essencial.
- Sempre precisamos entender e investigar o porque o paciente tem fibrilação atrial, seus hábitos de vida, doenças de base, características cardíacas para então termos uma melhor resposta.
E é muita coisa, não? Daria pra cuidar bem de tudo isso em 10 minutos?

Cardiologia em Limeira – SP
O Dr. Rafael Rosa atua em Cardiologia. Você deve ser o maior conhecedor do seu corpo e dos seus problemas, e merece ser cuidado com atenção, com tempo e carinho adequados.
Com experiência mista em urgência e emergência desde 2013, e atuando na área cardiológica desde 2019 nos setores da cardiologia, unidade de terapia intensiva cardíaca na Santa Casa de Limeira. Associado a isso, a união
Referências:
Panorama epidemiológico das internações por Flutter e Fibrilação Atrial no Brasil nos últimos anos.
Diretrizes ESC 2024 para o tratamento da fibrilação atrial.
II Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – SBC 2016.